
A crise que sacode o Supremo Tribunal Federal pode produzir uma consequência de longo alcance na própria cúpula da Corte: antecipar a chegada de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, à Presidência e à Vice-Presidência do STF. Atualmente, Edson Fachin ocupa a Presidência no biênio 2025-2027 e, seguindo a tradição interna de rodízio — pela qual assume o ministro mais antigo que ainda não presidiu o tribunal —, Alexandre de Moraes é o próximo da fila para comandar o Supremo entre 2027 e 2029. Depois dele viriam Nunes Marques, de 2029 a 2031, Mendonça, de 2031 a 2033, Cristiano Zanin, de 2033 a 2035, e Flávio Dino, de 2035 a 2037. A Gazeta do Povo aponta, porém, que uma eventual quebra dessa tradição na eleição interna prevista para agosto de 2027 poderia puxar toda a linha sucessória, colocando Nunes Marques na Presidência e Mendonça na Vice dois anos antes do calendário atualmente esperado. O Metrópoles também registra que um eventual afastamento de Moraes poderia produzir esse mesmo efeito sucessório.
O cenário ganhou relevância diante da guerra aberta dentro do Supremo, envolvendo Moraes, Mendonça, Flávio Dino e a própria Presidência de Fachin. Nesta quarta-feira (9), Fachin suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Dino sobre a cúpula da Polícia Federal, manteve Andrei Rodrigues no comando da corporação e convocou sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro, numa tentativa de conter decisões contraditórias e o que classificou como risco de “tumulto processual”. Há ainda um detalhe institucional importante: segundo a Gazeta do Povo, o procedimento aberto por Fachin para tratar do conflito envolvendo Mendonça está vinculado à Presidência do STF, e não pessoalmente ao ministro; portanto, se continuar dessa maneira, poderá passar para quem suceder Fachin. Por enquanto, contudo, a antecipação de Nunes Marques e Mendonça é uma possibilidade condicionada a uma ruptura da tradição sucessória ou a eventual impedimento/afastamento de Moraes — não uma mudança já decidida pelo Supremo.
Drykarretada!