
O Ceará aparece em posição alarmante no ranking dos estados mais seguros do Brasil, elaborado com base em dados da MySide (edição 2025) IBGE e Ministério da Saúde, considerando o indicador de assassinatos a cada 100 mil habitantes no período de referência de 2024. Segundo o levantamento, o estado registra taxa de 43,7 homicídios por 100 mil habitantes, ficando entre os piores resultados do país e atrás apenas do Amapá, que aparece com 47,1. O dado coloca o Ceará em situação muito distante de estados como Santa Catarina, que lidera o ranking com 8,6, São Paulo, com 11,3, e Distrito Federal, com 12,3.
A comparação revela a gravidade do cenário cearense. Enquanto estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste aparecem com índices mais baixos, o Ceará permanece na faixa mais crítica do mapa, ao lado de estados como Bahia, Pernambuco e Alagoas. O resultado reforça a percepção de que a segurança pública no estado enfrenta uma crise estrutural, marcada pelo avanço de facções, medo nas comunidades, domínio territorial do crime organizado e sensação crescente de insegurança entre comerciantes, trabalhadores e famílias.

O número de 43,7 assassinatos por 100 mil habitantes não é apenas uma estatística. Ele representa vidas perdidas, famílias destruídas e uma população obrigada a conviver com o medo. Em um estado onde a criminalidade interfere na rotina de bairros, cidades do interior e atividades econômicas, o dado atinge diretamente o discurso oficial de controle da violência. A distância entre a propaganda governamental e a realidade medida pelos indicadores torna-se cada vez mais difícil de sustentar.
O Ceará precisa de uma resposta séria, técnica e permanente. Segurança pública não pode ser tratada como peça de marketing, nem como promessa repetida em solenidades. O estado necessita de investimento em inteligência, fortalecimento das polícias, combate financeiro às facções, presença real nas áreas dominadas pelo crime e gestão penitenciária eficiente. Quando um estado aparece entre os piores do país em assassinatos, o problema deixa de ser apenas policial e passa a ser também político, administrativo e moral.
Drykarretada!