
Nem Marx, tampouco Adam Smith, puderam imaginar o alcance dessa máquina revolucionária.
"Mais vale um jatinho na mão do que dois jatinhos voando, vazios...", de autor desconhecido
A promiscuidade aeroviária, nas areias quentes do Oriente Médio, o comércio e a civilização seguiam o caminho da Rota da Seda -- no lombo de camelos. Vieram a seu tempo os navegantes dos mares e as ferrovias. Por fim, chegou a vez dos mais leves do que o ar e dos mais pesados -- os aviões... O Estado moderno concebeu duas armas letais e as desenvolveu: a "comissão" por serviços prestados e o "jatinho".
Com a primeira, foi promovida a a transferência do patrimônio e de recursos públicos para algibeiras privadas.
Já o "jatinho", com as suas asas abertas sobre o mundo, assegurou a formação de aplicadas comanditas, confabulações discretas a dez mil metros da terra e celebrações alegres, por iniciativas bem sucedidas.
O "jatinho" é um valhacouto bem equipado ao qual se recolhem interesses e tramas praticadas entre pessoas acima [ou abaixo] de qualquer suspeita.
"Jatinhos" são propriedades semoventes, impessoais, que transportam passageiros conhecidos e algumas criaturas que não deixam rastro pelos céus... A clandestinidade é a forma discreta de preservar as conveniências negociadas. Os planos de vôo seguem sugestões algorítimicas bem controladas. Os "jatinhos" voam alto e discretamente, cruzam oceanos, mares e "resorts" milionários, aqui e alhures. Sempre tornam ao ponto de partida, sejam quais forem as cartas de navegação.
O "jatinho" é a maior invenção do Estado moderno. Símbolo da íntima relação público-privado, no coração da governabilidade. Fosse vivo, Maquiavel situaria o "jatinho" como aríete para a destruição de qualquer resistência à vontade do Príncipe.
Por Paulo Elpídio de Menezes Neto
* Destacado acadêmico, cientista político e gestor público cearense, com uma trajetória profundamente ligada ao desenvolvimento do ensino superior no Ceará e no Brasil
Ponto de Vista: No Brasil, ah se esses "jatinhos" falassem...
Drykarretada!