
A disputa pela próxima indicação da Câmara ao TCU (Tribunal de Contas da União) deflagrou um racha no centrão e inflamou nos deputados uma discussão sobre a influência do governo Lula (PT) no Legislativo e o futuro das emendas parlamentares.
O candidato Odair Cunha (PT-MG), apoiado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sido bombardeado com comparações ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino, responsável por processo e investigações relacionados a emendas.
CANDIDATURAS PRÓPRIAS – O apoio de Motta a Odair foi firmado quando o PT decidiu endossar o paraibano na disputa pela presidência da Câmara. Dois expoentes do centrão, mesmo grupo político do chefe da Casa, dizem que não fazem parte desse acordo e lançaram candidaturas próprias. O União Brasil tem como candidato Elmar Nascimento (BA), enquanto o PSD colocou Hugo Leal (RJ).
Há ainda Danilo Forte (CE), que concorre avulsamente, sem partido. O PL, maior partido da Casa, lançou Hélio Lopes (RJ). Nos bastidores, União e PSD avaliam um acordo, idealmente com o PL, para junção de forças em torno de um candidato. Juntas, essas bancadas somam 192 deputados. A indicação ao TCU é feita por votação secreta, em plenário, sem segundo turno.
NOVO DINO – A ala do centrão que resiste a Odair aponta que a indicação do petista ao TCU seria uma vitória para o governo Lula e fortaleceria a influência do Planalto na Câmara. Esse grupo também tem chamado o parlamentar mineiro de “novo Flávio Dino”, para tentar indicar que, uma vez no cargo de ministro da corte de contas, o parlamentar encamparia uma eventual ofensiva do magistrado contra as emendas parlamentares.
O centrão como um todo teme que o STF avance contra a impositividade das emendas parlamentares em 2027. Eles acreditam que, com Lula reeleito, a corte acabaria com a obrigação do governo de pagar as transferências indicadas pelos parlamentares. O próximo presidente da República indicará mais três ministros à Suprema Corte.
Ponto de Vista: Emendas parlamentares não são uma invenção da filial Brazil. Existem na matriz USA e em muitas outras democracias. Não são negativas a ponto de justificar sua extinção. O que falta é fiscalizá-las com rigor. Mas aqui na filial existe uma complacência danada em relação a combater a corrupção. O problema é esse. Como dizia Ulysses Guimarães, o governo não pode roubar nem deixar roubar. (C.N.)
Drykarretada!