
O Presidente, certamente com o esforçado auxílio de sua esposa, teria gasto, até o final do ano passado, a bagatela de 1,4 bilhão de reais em seu cartão corporativo. As Estatais em estado de falência e, para o orçamento de 2017, a previsão é a de que não sobre rigorosamente nada para investimentos.
Os “penduricalhos” para o topo da pirâmide funcional continuam intocáveis, assim como as “bolsas” (para presidiários, inclusive) permanecem para sustentar o regime de servidão política imposto aos pobres e analfabetos (também políticos), cujas vidas e votos são mantidos sob o cabresto oficial.
As ocorrências de escândalos de corrupção, desvios de poder e de função pública cresce e se amontoa numa aterradora montanha, em cujo nefasto cume se refastelam autoridades dotadas de índole lombrosiana. Dentre elas, antigos e atuais integrantes da cúpula togada, a se mostrarem capazes da proeza de destruir a reputação da mais alta Corte judiciária do País.
Figuras de relevo desta falida e decrépita República, cuja Constituição apodreceu nos imundos corredores palacianos, mostram-se implicadas em apropriações dos sofridos quaraminguais dos aposentados e pensionistas do INSS. É de pasmar que empréstimos consignados hajam sido feitos não só de modo sub-reptício, mas até em nome de fetos e falecidos (foi o que soube). Tudo a ser revelado com a quebra do sigilo fiscal e bancário de pessoas que, pelo parentesco próximo com o manda-chuva, se deveriam manter em cândida postura, inclusive financeira.
Quem não deve teme...daí, qual o motivo para aquela cena de pugilato em pleno Congresso, decorrente da irada inconformação de parlamentares de má fama e índole com a correta e hígida decisão de levantar o véu? Ainda bem que – a escapar heroicamente do lodaçal que o cerca (faço exceção a muitos poucos, entre eles Luiz Fux) – o Ministro André Mendonça determinou que a polícia descubra o rumo da dinheirama desviada.
É absolutamente inacreditável que Alcolumbre, supostamente com gente próxima a si implicada (conforme o divulgado nas redes sociais), se negue a instaurar a CPI senatorial sobre o MASTER, cujo vistoso “mister” que o criou (na Bahia?) conseguiu estreitar relações (também) com “estrelas togadas” e seus familiares próximos de forma espantosa. Afinal, o Sr. Daniel não é o “dono” da Casa Alta nem de seu regimento.
Se lhe cabe, formalmente, instaurar a Comissão, tal prerrogativa não é discricionária, muito menos arbitrária. Diante da vontade expressa de 51 Senadores, a sua própria é obviamente àquela vinculada, sendo-lhe OBRIGATÓRIO instalar a CPI. Não fazê-lo é prevaricar, senão cometer crime de responsabilidade! Já o Mota – aquele do “mesmo que quisesse”, é dizer, o que não quer – adota o risível discurso de que, na Câmara, há uma “fila”… certamente prioritária será uma destinada a investigar o grau de flexibilidade do cachimbo de barro. Risível, isto, para dizer o mínimo.
O Brasil está às portas da morte, à conta das purulentas infecções morais, éticas, jurídicas, políticas e, enfim, institucionais de que padece. Ele sobrevive numa UTI infestada de bactérias letais, a necessitar não de mera assepsia, mas de uma inteira reconstrução.
Vivemos – disse-o bem um comentarista do “Pingos no Is” – não de esperanças, mas de expectativas. Mas que estas se fortaleçam, se tornem ainda mais óbvias e se transmudem em realidade. Refazer o Brasil é não só indispensável, mas INADIÁVEL! E isto passa pela declaração de NULIDADE (plena e absoluta) de todas as condenações políticas impostas aos que restam, doentes do corpo e da mente injustiçada, nos cárceres alexandrianos.
Caso tal mudança não aconteça, restar-nos-á a opção de fazer uma sofrida homenagem, IN MEMORIAM, à Nação brasileira.
* Ex-procurador-geral do Município de Fortaleza, procurador aposentado do Estado do Ceará
Drykarretada!