
Ninguém pode saber como essa crise vai acabar, mas já se pode dizer, sem medo de errar, que as tentativas de blindar os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estão destinadas a agravar um inevitável confronto entre o Congresso e os outros poderes, porque o governo e o Supremo funcionam como se estivessem em conluio para proteger autoridades envolvidas em gravíssimos episódios de corrupção.
A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, ao anular nesta sexta-feira, entre outras medidas, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que iria incriminar o ministro Dias Toffoli, vai funcionar como um tiro no pé e provocar revolta na maioria dos parlamentares.
LULA EM MINORIA – Em recente artigo aqui na Tribuna da Internet, destacamos o fato de que o governo Lula da Silva, que já era minoritário no Senado, agora está também em minoria na Câmara, conforme fica comprovado na atuação da CPMI do INSS, que também quer mergulhar de cabeça no caso do banco Master, seguindo o comportamento a CPI do Crime Organizado e da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, .
Para socorrer Dias Toffoli e impedir sua imediata incriminação no caso Master., o ministro Gilmar Mendes tomou a iniciativa de incentivar a reabertura de um antigo processo que ele próprio mandara arquivar no Supremo em 2021.
Deu certo a jogada ensaiada, como se diz no futebol, mas o jogo ainda não terminou. Pelo contrário, está apenas começando e Gilmar Mendes é apenas o árbitro do VAR. O verdadeiro juiz em campo é André Mendonça, que não gosta de regras criadas de surpresa e deve responder à altura.
UMA RESPIRADA – De qualquer forma, com essa audaciosa e criativa decisão de Gilmar Mendes, ressuscitando um processo que ele próprio arquivara, o ministro Tofolli vai dar uma respirada até terça ou quarta-feira, quando as CPIs voltam a se reunir, para apertar ainda mais o cerco a Toffoli e também a Moraes, que tem 129 milhões de motivos para estar envolvido no caso Master, como diz o jornalista Mário Sabino, do Metrópoles.
Além disso, há várias maneiras de quebrar sigilo, e não se pode esquecer que o ministro André Mendonça pode ser acionado pela Polícia Federal ou pela própria CPI do Crime Organizado para devassar o sigilo fiscal e bancário da empresa Maridt e dos irmãos de Toffoli, o que deixará Gilmar Mendes de calças arriadas, como se dizia antigamente.
Aliás, a direção da CPI do Crime Organizado – comandada por dois delegados de polícia, o presidente Fabiano Contarato (PT-ES) e o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), e tendo como vice-presidente o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que é general de quatro estrelas – já anunciou que vai recorrer da blindagem feita por Gilmar Mendes.
Ponto de Vista: Grifo Nosso! Conforme afirmamos recentemente, o Supremo é comandado informalmente por uma troika, formada por Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que se impõem aos demais ministros. Mas todo reinado ilegítimo tem vida curta. Hoje, a maioria do Senado apoia a CPI do Crime Organizado e pode acabar pressionando e obrigando o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) a votar impeachments de ministros do Supremo, algo que já se tornou objeto de desejo da opinião pública brasileira e vai influenciar as eleições deste ano, quando o consumo de pipocas tende a aumentar. (C.N.)
Drykarretada!