
“Nada como um dia atrás do outro”, diz o velho ditado, que o empresário Adolfo Bloch, criador do grupo Manchete, complementava afirmando que “a vida recomeça todo dia, quando você acorda” Há um ano, o ministro Alexandre de Moraes pontificava no Supremo Tribunal Federal, era um personagem endeusado como suposto “salvador da democracia”.
Mas o tempo não para, e hoje Moraes é uma pálida lembrança do passado, com sua imagem destruída pelo enriquecimento ilícito de sua família, atrelada ao fatídico e ilusório Banco Master. O mesmo aconteceu com Dias Toffoli, que nunca foi líder de nada, a não ser de si mesmo.
UM MINISTRO LIMPO – Enquanto Moraes e Toffoli literalmente desabam no ranking do STF, o ministro Mendonça cresce de importância a cada dia. Sem qualquer mancha em seu passado, tornou-se advogado da União por concurso e se destacou na gestão de Medina Osório como ministro da AGU. Depois, acabou caindo nas graças do então presidente Jair Bolsonaro, que precisava agradar aos evangélicos e o nomeou para a AGU.
Mendonça não é evangélico de raiz, pois atua como pastor da Igreja Presbiteriana, de origem calvinista e considerada uma das vertente do protestantismo histórico. Porém, Bolsonaro não quis nem saber, rotulou Mendonça como “terrivelmente evangélico” e o indicou para o STF.
Em meio a enriquecimentos ilícitos e favorecimentos de parentes e amigos, Mendonça é um ministro totalmente limpo, sem nada que o desabone, somente comparável a Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanon, com a diferença de que os três erraram feio ao apoiar Moraes no justiçamento dos réus do 8 de Janeiro, condenando-os como se fossem terroristas e não somente invasores e depredadores de prédios públicos, num radicalismo irracional que Mendonça sempre criticou.
HOMEM DE SORTE – Como se vê, André Mendonça é um homem bafejado pela sorte, que está no lugar certo, na hora exata. Assim, por ironia do destino, acaba de se tornar relator do caso Master, um dos mais importantes processos da História do Supremo.
Como se sabe, Dias Toffoli foi atingido durante pela denúncia feita pela direção da Polícia Federal em relatório com mais de 200 páginas, e o STF teve de afastá-lo da relatoria. O presidente Fachin então determinou o sorteio de novo relator, e Mendonça saiu premiado.
Agora, está tocando INSS e Master, dois processos que envolvem o governo Lula, autoridades diversas políticos e até ministros do STF. Uma de suas primeiras medidas foi proibir os delegados federais de compartilharem com seus superiores hierárquicos as novas informações que foram obtendo no inquérito do Master
SEM INFLUÊNCIAS – Mendonça adotara modelo semelhante no inquérito do INSS, porque havia vazamentos que informavam o Planalto sobre descobertas em relação às fraudes contra aposentados e pensionistas, porque um filho (Lulinha) e um irmão de Lula (Frei Chico) estão citados no escândalo.
Assim, trata-se de uma decisão corajosa, necessária e histórica de André Mendonça. Em tradução simultânea, o ministro está usando seus superpoderes para evitar que Lula siga manobrando para blindar a família e os petistas que estão envolvidos no caso Master e na exploração de aposentados e pensionistas, uma especialidade criada pelo PT quando Paulo Bernardo era ministro do Planejamento e marido de Gleisi Hoffmann.
Ponto de Vista: Indiciado em vários casos de corrupção, Paulo Bernardo chegou a ser preso em 2016 na Operação Custo Brasil, à época da Lava Jato. Por causa dos seguidos escândalos, o petista-raiz perdeu o ministério, o mandato de deputado e a mulher, Gleisi Hoffmann, que também foi investigada.
Na época, Toffoli revogou a prisão de Bernardo e recentemente absolveu o petista em outro processo, alegando que as acusações contra ele partiram de delações premiadas da Odebrecht, que para o ministro do STF têm o mesmo valor dos contratos do resort Tayayá – ou seja, são provas que não valem absolutamente nada. Mas isso é outra história, que depois a gente conta, enquanto o circo do PT ameaça pegar fogo em pleno ano eleitoral. (C.N.)
Drykarretada!