
O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), hoje alinhado politicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protagonizou mais um episódio que expõe a contradição entre seu discurso religioso e sua atuação política. Durante participação no programa GloboNews Mais, apresentado por Júlia Dualibi, o parlamentar atacou a família Bolsonaro ao afirmar que seus integrantes têm “muito pouco de evangélicos”, ao mesmo tempo em que evitou qualquer crítica ao governo que hoje integra, mesmo diante da repercussão negativa do desfile na Sapucaí que gerou indignação entre conservadores e fiéis. A incoerência se torna ainda mais evidente quando o próprio Otoni cita como mérito do governo Lula o reconhecimento de manifestações religiosas evangélicas como patrimônio cultural por decreto, transformando, por ato administrativo, aquilo que sempre foi expressão espontânea da fé em instrumento formal de política cultural. Críticos apontam que a postura do deputado revela um distanciamento cada vez maior da base religiosa que o projetou politicamente, ao defender simbolicamente a fé em discursos enquanto silencia diante de episódios que muitos evangélicos interpretam como desrespeito, levantando dúvidas sobre se sua atuação ainda representa convicção ou mera conveniência dentro do novo campo de poder ao qual passou a pertencer.
Drykarretada!