
Hoje, excepcionalmente, vamos mudar de assunto e falar sobre as pesquisas eleitorais. O fato é que esses levantamentos sensacionalistas não têm nem podem ter confiabilidade, mas sempre é possível aproveitar alguns resultados para fazer projeções que estejam dentro da lógica – ou seja, que aparentem estar próximas à realidade.
Como ainda estamos longe das eleições, por enquanto as pesquisas são tremendamente manipuladas, de acordo com o cliente, feitas sob medida para atender a esta ou aquela intenção.
FORÇANDO A BARRA – Como diria Silvio Santos, é tudo por dinheiro; os chamados institutos precisam pagar as contas e sobreviver, digamos assim. Mas há quem acredite piamente neles, e cada um interpreta os resultados de acordo com o próprio interesse.
Nesta fase, chamam atenção as sucessivas pesquisas indicando que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) está em crescimento e o senador já teria se tornado o único pretendente com chances de enfrentar Lula.
Essa possibilidade vem sendo exaltada, porque é justamente o cenário que interessa ao presidente Lula da Silva e ao PT. Eles estão convictos de que, se a disputa for contra Flávio, os petistas já podem comemorar antecipadamente a vitória.
OUTRAS PESQUISAS – Em meio a esse fantasioso festival, sempre aparecem outras pesquisas indicando exatamente o contrário.
Foi justamente o que acontece com a pesquisa feita pelo Instituto Ideia para o portal Meio, divulgada na semana passada. Para petistas de raiz, com baixa qualificação e poucos neurônios, os resultados parecem a consagração de Lula, que já estaria mais do que reeleito. O atual presidente lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026.
Na pergunta espontânea —em que os entrevistados respondem em quem votariam, sem indicação dos candidatos, Lula aparece com 32% das intenções de voto; o ex-presidente Jair Bolsonaro tem 9,5%, seguido por Flávio (6,6%), Tarcísio (6,1%) e Michelle (3,6%). Os demais ficam abaixo de 2%.
PETISTA DISPARA – Nos outros cinco cenários estimulados de primeiro turno, Lula permanece na frente dos rivais. Contra Tarcísio de Freitas, o petista marca 40,2%, ante 32,7%. Diante de Flávio (PL), 39,6% a 27,6%.. Na disputa contra Michelle , o petista sobe para 40,1% contra 29,7%.
Sobre a definição do voto para presidente, 64,5% dos entrevistados dizem estar decididos, enquanto 35,5% afirmam o contrário.
A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 8 e 12 de janeiro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
SEGUNDO TURNO – A grande surpresa da pesquisa Ideia/Meio refere-se ao segundo turno, em que há empate técnico entre Lula e Tarcísio, dentro da margem de erro: o presidente tem 44,4%, enquanto o governador de São Paulo soma 42,1%.
Nos demais cenários de segundo turno testados, Lula aparece à frente dos adversários. Ele marca 46% contra 37% de Ratinho Jr. (PSD), 46,3% contra 36,5% de Ronaldo Caiado (União Brasil), 46% contra 39% de Michelle (PL), 46,3% contra 36,1% de Romeu Zema (Novo) e 46,2% contra 36% de Flávio (PL).
Como Tarcísio de Freitas sequer é candidato, suas chances tornam-se muito altas, porque sua rejeição é baixíssima, apenas 16,2%. Quanto a Lula, 40,8% dizem que não votariam nele em nenhuma hipótese, Enquanto Flávio é rejeitado por 30% e Michelle, por 26,1).
Ponto de Vista: Há outras pesquisas que dão Flávio Bolsonaro disparado na segunda posição, mas não se deve dar atenção, por ser o “rival preferido” pelo PT. Com Flávio, a vitória de Lula estaria garantida. Assim, os resultados da pesquisa Ideia seriam mais confiáveis, e indicam que Tarcísio de Freitas pode disparar, caso aceite a candidatura e consiga chegar realmente ao segundo turno. O mano a mano de Tarcísio contra Lula seria apoteótico.
Sobre a questao do Supremo, continuamos na esperança de que os advogados do ex-presidente Bolsonaro continuem imobilizados pelos truques jurídicos do ministro Alexandre de Moraes e só apresentem recursos no dia 31, quando ele deixa a presidência interina do Supremo e Gilmar Mendes também sai da presidência da Segunda Turma, que passa agora a julgar a Ação Penal 2.668, a mais importante da História Republicana. (C.N.)
Drykarretada!