
Ao longo dos últimos anos, nenhuma autoridade mereceu tão elevada cobertura da mídia como o ministro Alexandre de Moraes, que presidiu o inquérito, relatou e julgou no Supremo os crimes relacionados com a trama golpista de 8 de janeiro de 2023. Seu nome foi destaque na imprensa internacional e até na Casa Branca, que o puniu por meio da Lei Magnitsky, em sanção depois revista.
Nas duas últimas semanas, ele voltou a ser notícia em todos os blogs, sites, jornais, emissoras de rádio e de televisão, mas desta vez o acusado é ele.
APOIO À VENDA – Segundo os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, o ministro Moraes, fora de suas funções institucionais, teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, diversas vezes, para demonstrar seu apoio ao empresário Daniel Vorcaro no caso da venda do falido Banco Master ao BRB – Banco Regional de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal.
O Master, com golpes de gestão temerária, inescrupulosamente acarretou prejuízo a milhares de investidores, deixando rombo de R$ 19 bilhões a ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito.
A desastrada e ilegal intervenção do ministro Moraes junto ao BC não surtiu efeito, e a instituição de Vorcaro foi liquidada pela autarquia federal. Seus controladores foram presos e depois liberados sob vigilância da Polícia Federal e do Poder Judiciário (prisão domiciliar).
SUPERCONTRATO – Nesse contexto, a situação ética e disciplinar de Moraes, se é que algum ministro do STF está sujeito a alguma lei, complicou-se de vez quando os jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, de O Globo, corajosamente revelaram que o interesse do juiz no Master incluía a prestação de assessoria completa a um banqueiro sem escrúpulos.
O contrato com o Master foi celebrado em janeiro de 2024 pela mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129,6 milhões, em prestações de R$ 3,6 milhões.
No escritório de advocacia da família, Viviane e seus dois filhos deveriam, entre outras missões profissionais, defender os interesses do banco Master junto ao Banco Central, CADE, Receita Federal, Congresso Nacional, Judiciário etc.
QUATRO LINHAS – O contrato é missão impossível para um escritório com tão poucos e jovens advogados, carentes de maior experiência. A não ser que forças extrajudiciais estivessem atuando fora das quatro linhas.
Tão graves, inimagináveis e comprometedoras atitudes, relacionadas a insuportáveis pressões que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, teria sofrido por parte de Moraes, sem dúvida, denigrem a imagem da STF e de seus membros.
Essas demolidoras reportagens jamais teriam sido publicadas sem autorização do diretor-presidente de O Globo, o empresário João Roberto Marinho, que dirige toda a Organização Globo. Ou seja, mais do que indícios, O Globo tem as provas. Então, por que não as divulga para que o caso tenha logo um desfecho e não se eternize essa desmoralização do STF?
Ponto de Vista: Se os jornalistas não tivessem as provas, já teriam sido demitidos de O Globo, que não compra briga com autoridade sob hipótese alguma. Amanhã, voltaremos a esse palpitante assunto. (C.N.)
Drykarretada!