
Atingidos diretamente pelo agravamento da polarização, causado pelo radicalismo que o ministro Alexandre de Moraes adotou na investigação e no julgamento do 8 de Janeiro e do complô golpista, os ministros do Supremo Tribunal Federal passaram o pior Natal de todos os tempos.
O STF tornou-se o prato principal das queixas, reclamações e ataques desferidos na internet e nas redes sociais, apesar de estar sendo poupado pela grande imprensa, que sempre enaltecia a atuação dos ministros contra o bolsonarismo, mas agora teve de se curvar diante do envolvimento de Moraes no escândalo do Banco Master.
SEM PRESTÍGIO – Na verdade, a mídia já não tem o mesmo prestígio e sofre críticas pesadas pela servidão que demonstra em relação ao governo, porque todos os veículos, sem exceção, tornaram-se cada vez mais dependentes das verbas políticas de publicidade, que inclusive estão sendo aumentadas devido ao ano eleitoral.
O problema é que está cada vez difícil enganar a opinião pública. Não adianta a grande imprensa querer conduzir os acontecimentos, porque a verdade acaba aparecendo.
Vejam o caso de Alexandre de Moraes, indevidamente transformado em herói nacional e salvador da democracia. De repente, um jornalista (Lauro Jardim, de O Globo) quebrou o muro de silêncio e trouxe à luz o espantoso contrato de R$ 129,6 milhões entre a mulher de Moraes e o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro.
SIGILO INÚTIL – Não adianta que o amigo Dias Toffoli saia em socorro, coloque em sigilo as investigações e tranque em seu gabinete todos os documentos do inquérito. Logo haverá um vazamento, e assim sucessivamente.
Os sete ministros que deram força para transformar Moraes no mito Xandão agora estão assustados. O prestígio do ministro-relator-vítima-julgador-revisor-etc. diminui a cada dia. Como diz o jornalista Mario Sabino, de Metrópoles, os brasileiros têm 129 milhões de motivos para não esquecer quem é Moraes.
E os sete ministros, que desde 2019 vêm apoiando as perversidades de Xandão tão entusiasticamente, agora têm de se afastar dele, para preservar as próprias biografias.
Ponto de Vista: Nada como um dia atrás do outro, diz o ditado popular. Os julgamentos do 8 de Janeiro e do golpe que não houve foram atrocidades jurídicas, vão pesar para sempre na mente dos ministros que ainda tiverem alguma consciência. Porém, nunca é tarde para se recuperar. Se daqui para a frente os ministros respeitarem as leis e a Constituição, já estará de bom tamanho. E a opinião pública saberá entender. (C.N.)
Drykarretada!