
Segundo reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada em O Globo, o ministro Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, em ao menos quatro ocasiões para tratar de questões envolvendo o Banco Master, inclusive com registro de encontro presencial, além de contatos telefônicos. Ainda que não haja confirmação documental pública desses diálogos, a informação jornalística coloca em xeque a liturgia do cargo e reacende o debate sobre os limites da atuação informal de magistrados de cúpula junto a órgãos reguladores. Em tempos de forte sensibilidade institucional, a aparência de independência é tão relevante quanto a legalidade formal dos atos.
O quadro se torna mais delicado com a revelação de que a empresa da advogada, esposa do ministro, mantém contrato estimado em R$ 129 milhões com o Banco Master, com parcelas mensais da ordem de R$ 3,6 milhões, conforme noticiado pela imprensa. Isoladamente, contratos privados não caracterizam irregularidade; contudo, a convergência entre vínculos econômicos relevantes e a intermediação atribuída a um magistrado do STF impõe um dever reforçado de transparência e autocontenção. Cabe lembrar que eventuais indícios de tráfico de influência envolvendo magistrados são de competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável pelo controle administrativo e disciplinar do Judiciário. E de ministros da Suprema Corte? Quando dúvidas razoáveis surgem e não são dissipadas com clareza, o dano ultrapassa pessoas e alcança a credibilidade das instituições.
Drykarretada!