
O jornalista Marcos Vanucci quebrou o silêncio ao dar depoimento sobre os dias em que esteve preso após as manifestações de 8 de janeiro, em Brasília. Em entrevista concedida à Gazeta do Povo, ele afirmou ter sido detido mesmo após se identificar como profissional de imprensa, permanecendo por cerca de 70 dias no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.
Segundo seu relato, a prisão ocorreu de forma arbitrária, quando militares cercaram manifestantes e jornalistas, obrigando-os a embarcar em ônibus sem qualquer explicação ou ordem formal de prisão. Vanucci contou que, já na chegada à Papuda, foi recebido com agressões físicas e presenciou cenas de humilhação contra detentos, incluindo pessoas nuas obrigadas a permanecer em posições degradantes sob gritos de agentes.
O jornalista também denunciou superlotação e condições desumanas, relatando que dividiu uma cela destinada a oito presos com mais de 30 pessoas, tendo que dormir no chão ao lado de um vaso sanitário. Disse ainda ter sido alvo de ameaças e de tentativas forçadas de aplicação de injeções, além de ouvir frases de intimidação como: “Com toda a maldade que eu tenho em mim, eu tomo seu sangue no copo”, supostamente proferidas por agentes penitenciários.
Outro ponto destacado por Vanucci foi a tentativa de incriminá-lo por meio de documentos. Ele afirmou que se recusou a assinar papéis que poderiam comprometê-lo injustamente e orientou outros detidos a fazerem o mesmo. “Nunca me senti tão humilhado na vida”, disse, classificando sua prisão como ilegal e inconstitucional.
O depoimento, concedido à Gazeta do Povo, reforça a denúncia de arbitrariedades e abusos cometidos contra cidadãos detidos no episódio de 8 de janeiro, e reacende o debate sobre garantias fundamentais, liberdade de imprensa e respeito aos direitos humanos no Brasil.
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