
A contradição escancarada nas decisões judiciais brasileiras tem chocado a opinião pública e levantado questionamentos sobre o real alcance da justiça no país. Casos emblemáticos demonstram uma seletividade preocupante: nomes pesados da política nacional, envolvidos em escândalos bilionários de corrupção, encontram-se em liberdade, enquanto cidadãos comuns, alguns até idosos ou doentes, enfrentam penas severas e, em muitos casos, desumanas.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima, flagrado com R$ 51 milhões em malas, está solto. O ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, condenado por corrupção na Lava Jato, também. O ex-ministro José Dirceu, sentenciado a mais de 30 anos no Mensalão e na Lava Jato, segue livre. O ex-governador Sérgio Cabral, condenado a 430 anos de prisão por corrupção, idem. Enquanto isso, idosas de mais de 70 anos, com problemas de saúde, acusadas por participação nos atos de 8 de janeiro, retornam à prisão por decisão do ministro Alexandre de Moraes. O contraste se agrava com episódios como o de Clériston Pereira da Cunha, que morreu encarcerado sem julgamento final, ou de Débora Rodrigues, condenada a 14 anos de prisão por uma pichação no STF. Até mesmo um homem com hanseníase, que vendia balas em acampamentos, foi condenado.
A mensagem que se passa é clara e perturbadora: a justiça no Brasil parece funcionar de acordo com o peso político e não com o rigor da lei. Grandes nomes envolvidos em desvios bilionários desfrutam da liberdade, enquanto cidadãos comuns, sem o mesmo capital político ou econômico, pagam com a vida, a saúde e a dignidade. Essa disparidade mina a confiança da sociedade nas instituições e reforça a percepção de que o país vive sob uma lógica seletiva, em que o crime de opinião e protesto é punido com mais severidade do que o saque aos cofres públicos.
O caso levanta uma pergunta inevitável: qual é o real critério da justiça brasileira – o ato cometido ou o autor do ato?
Drykarretada!