
A decisão da CPMI do INSS de aprovar, por unanimidade, o pedido de prisão preventiva de 21 investigados — entre eles o notório “Careca do INSS” — representa um movimento raro de firmeza institucional diante de um escândalo que drena bilhões dos cofres públicos e atinge diretamente aposentados e pensionistas. O contraste é evidente: enquanto a Polícia Federal, mesmo com fartas provas, segue em ritmo burocrático, a comissão parlamentar assume o protagonismo e cobra ação imediata do Judiciário.
Esse contraste expõe um incômodo: por que, diante de um esquema tão vasto e documentado, nenhum dos principais suspeitos está atrás das grades? A Polícia Federal, que deveria conduzir as investigações com agilidade e eficiência, parece caminhar em marcha lenta, como se não houvesse urgência em proteger os recursos da Previdência. A CPMI, ao pressionar o STF com um pedido formal de prisão, acaba por revelar a omissão e a passividade de quem deveria ter agido antes.
Mais do que um gesto político, o movimento da CPMI é um recado claro de que o Parlamento não pretende ser cúmplice da inércia. Quando deputados e senadores se unem em torno de um voto unânime, a mensagem que ecoa é de cobrança: o país exige respostas rápidas, e a sensação de impunidade precisa ser rompida. Se a Polícia Federal se limita a relatórios, diligências e discursos protocolares, a CPMI mostra que é possível agir com ousadia diante da gravidade do caso.
Resta saber se o Supremo Tribunal Federal atenderá a esse chamado ou se seguirá a mesma trilha morosa que tantos outros escândalos percorreram até o esquecimento. O fato é que a CPMI assumiu o risco político de expor a letargia de instituições centrais e, ao fazê-lo, colocou a Polícia Federal contra o espelho. A sociedade espera menos cautela e mais coragem: a cada dia sem prisões, os fraudadores se reorganizam e o rombo na Previdência aumenta. A comissão fez sua parte; cabe agora às autoridades policiais e judiciais mostrarem se estão à altura do desafio.
Drykarretada!