
Em diversos bairros de Salvador, como Engenho Velho da Federação, Nordeste de Amaralina e Subúrbio Ferroviário, a vida cotidiana tem sido ditada pelo crime organizado: moradores são obrigados a manter portas e portões destrancados para permitir a entrada de traficantes em fuga durante operações policiais. A ordem das facções é clara e cruel: quem descumpre pode sofrer torturas ou até a morte. Em relato ao jornal Correio, uma moradora contou ter acordado com homens armados dentro de casa exigindo silêncio — situação inédita em mais de 30 anos vivendo no bairro. Segundo a polícia, criminosos usam residências como refúgio e ameaçam diretamente os moradores que tentam resistir. Até agora, ao menos 20 famílias já foram feitas reféns em 2025 durante fugas de criminosos, um retrato da gravidade da situação. A rotina de medo também tem provocado a desvalorização dos imóveis e tentativas frustradas de mudança, já que muitos não têm condições financeiras para deixar as áreas dominadas. A prática, que ficou conhecida como “lei da porta aberta”, escancara o avanço das facções sobre a vida privada e expõe a incapacidade do Estado em garantir segurança mínima à população.
Ponto de Vista: É inaceitável que governos, em todas as esferas, se mostrem incapazes de garantir o mínimo de segurança à população, permitindo que facções criminosas ditem regras de convivência em bairros inteiros. Quando cidadãos são obrigados a viver de portas abertas, sob ameaça de tortura ou morte, não estamos diante apenas de falhas pontuais na segurança pública, mas da completa rendição do Estado à criminalidade. Essa omissão criminosa expõe o abandono das famílias brasileiras e a falência de políticas que deveriam proteger o povo, mas acabam servindo apenas para alimentar estatísticas e discursos vazios.
Drykarretada!