
A Polícia Federal, ao transformar relatórios técnicos em documentos recheados de conjecturas e trechos midiáticos, acaba minando a própria credibilidade institucional. O que deveria ser uma apuração objetiva sobre movimentações financeiras de Jair Bolsonaro e sua família se converte em um calhamaço que mistura dados bancários com conversas privadas, gerando mais manchetes do que provas consistentes. Esse tipo de conduta abre espaço para a acusação de que a PF atua como instrumento político, reforçando a narrativa de lawfare que a defesa do ex-presidente explora com facilidade.
Não é papel da Polícia Federal insinuar, dramatizar ou antecipar juízos sem robustez técnica. Quando a instituição extrapola sua função e atua como produtora de narrativas, desvia-se da missão de servir à Justiça e compromete a confiança da sociedade. A crítica que se impõe, portanto, é clara: a PF precisa se reaproximar do rigor técnico e da imparcialidade, sob pena de transformar investigações sérias em disputas políticas travestidas de inquérito.
Drykarretada!