
Em Porto de Galinhas (PE), Pipa (RN) e Jericoacoara (CE), reconhecidos mundialmente por suas belezas naturais, facções criminosas consolidaram um controle paralelo e ameaçador: entram no comércio de drogas à luz do dia, monitoram os arredores com “olheiros”, impõem toques de recolher e até resolvem conflitos por meio de tribunais do crime — como parte de um modelo lucativo que rende milhões às organizações como o Comando Litoral Sul (em Porto), o Sindicato do Crime (em Pipa) e grupos ligados ao Comando Vermelho (em Jericoacoara). No caso de Pipa, a facção local criou uma estrutura quase corporativa com funções hierarquizadas e turnos de trabalho. Já Porto de Galinhas viu imposição de silêncio social, tortura de quem denunciasse e faturamentos estimados em R$?10 milhões por ano. As ações desses grupos imprimem sensação de insegurança tanto para moradores quanto para turistas, enquanto o poder público enfrenta dificuldades para retomar a segurança nesses destinos paradisíacos.

Ponto de Vista: Em menos de 24 horas, o Ceará foi destaque negativo duas vezes na imprensa nacional por causa da insegurança pública. Primeiro, uma comunidade em Morada Nova expulsa por facção, como mostrou o Domingo Espetacular. Agora, Jericoacoara, um dos principais cartões-postais do estado, aparece dominada pelo crime organizado. Quando a violência alcança o interior e sufoca o turismo, é sinal de que o colapso da segurança já não respeita fronteiras — e muito menos a propaganda oficial.
Drykarretada!